quinta-feira, junho 26, 2008

Lamentos de Samhain

Súplicas, soluços, silêncio
Noite escura, inatingível
Luto penetrante, frio.

Aurora rubra
Horizonte pálido
Sangue que escoa
Entre ocasos

Espasmos, murmúrios
Cânticos das estrelas
Odes das árvores, ramas
Filhas da desolação

Almas que viajam
Entre véus, entre tempos
Almas que evocam
O sangue vertido
Almas que buscam
O útero, a esperança

Caídas, as folhas choram
O vento suspira
A chuva fria rola pelos céus
Como lágrima, em pranto

O Sol se pôs.

Ewan Thot © 2008

Hino à Lua Negra

És tu, lua, escura no céu
Escuridão em véu, miragem
Em vestes de negro pajem
Rodopiante, à meia-noite

És tu, lua, dançarina clarividente
Águia no tempo, vê a frente
E segue tua dança contente

Tu, arco de prata
Do disco leitoso
Da face oculta

Te mostras aos teus
Em desalento e torpor
Em êxtase e agonia
Em morte e amor

Te mostras aos teus
Os filhos, em obscura temperança
Ou em total transcendência
Mas sempre errante
Inexata, mutante

Cíclica, em sangue
Arauto do Espiral
Continuação, inevitável e fatal

A ti, esvoaçante entre estrelas
Borrão de níquel no céu
Escura como tudo que é mundano
Todavia, doce profetiza
Do incerto, do improvável, do profano

Um soprar de brisa, vislumbre
Um breve instante... desencarne!

Ausência, vácuo no tempo
Inconstância? Caos?
Não!
Transformação, giro
De plena à pura
(Vazia)
Do diamante ao carvão
(Trespassante)

Salve a ti, ó Antiga
Como a noite e o céu
Salve a ti, ó escura
Preta semente, ao léu

Ewan Thot © 2008